Ambulantes não podem atuar perto do Bruno José Daniel
Venda a distância de duas quadras do estádio faz com que lucro de Antonio Marchetti despenque
Há 14 anos, o ambulante Antonio Marchetti vende lanches e bebidas nas imediações de estádios de futebol. Porém, neste ano, ele tem sido impedido de trabalhar nas imediações do Estádio Bruno José Daniel, em Santo André, e tem de ofertar seus produtos a dois quarteirões do estádio. Tamanha distância fez com que suas vendas sofressem uma queda vertiginosa, para não dizer desesperadora.
Em outros tempos, Antonio conseguia faturar R$ 300 em dias de confrontos do Santo André contra times grandes, mas, atuando longe do estádio, faturou pouco mais de R$ 70 na partida entre Santo André e São Paulo, ocorrida no último dia 18 (vitória do Santo André por 1 a 0). Se este é o faturamento de um jogo contra um time grande, as expectativas de Antonio Marchetti, que conta com o auxílio de seu filho Fernando, não são nada animadoras.
Inconformado com sua situação, Antonio decidiu expressar seu sofrimento, e espera um dia poder voltar a trabalhar nas imediações dos estádios:
- Eu fico chateado porque a gente é pai de família, a gente precisa trabalhar porque emprego a turma não dá para a gente mesmo. Vou fazer 49 anos, estou desempregado, preciso trabalhar, tenho família, preciso pagar minhas dívidas também e a gente vive disso aqui. Já há 14 anos trabalho com barraca, em muitos lugares a gente roda. Agora, quem mora aqui perto e quer trabalhar aqui no Bruno José Daniel não tem condições porque não deixam a gente trabalhar nem na frente do estádio.
Apesar da situação, e talvez até mesmo por conta dela, Antonio mostra seu caráter e se recusa a abandonar seu ofício para se dedicar a outras atividades menos honrosas ao mesmo tempo em que faz um apelo:
- Nós somos pais de família, a gente precisa trabalhar, pô! A gente vai roubar? Quem somos nós? Eu, graças a Deus, sou evangélico, e pretendo trabalhar muito na minha vida, na honestidade. Então eu estou pedindo para pelo menos na frente do estádio a gente trabalhar, porque todo mundo aqui é pai de família, mãe de família, precisa trabalhar. A gente necessita muito do emprego.
Sofrendo na própria carne as quedas nas vendas, ele faz um apelo:
- A gente fica chateado porque a gente vem, compra a mercadoria, chega aí, o tal do (major) Marinho não deixa a gente trabalhar. Pô, ele é aposentado, já tem o serviço dele. Deixa a gente trabalhar!
Em tom de despedida, Antonio revela seu mais íntimo desejo:
- Nós não somos marginais, não somos nada. A gente quer trabalhar...
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Do fundo do baú digital
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Quando as flores envelhecem

A hora de plantar novas flores no jardim se aproxima, mas quantas flores mais se perderão durante o desenrolar desta história? Quantas flores serão ceifadas prematuramente para que se mantenha a lembrança das mesmas pela eternidade? Não sei, apenas posso prometer depositá-las sobre o solo fértil do jardim, para que venham a adubar as flores do amanhã, pois, no fim das contas, somos todos autodestrutivos e necrófagos.
(Flores de plástico não morrem, pois jamais estiveram vivas)
terça-feira, 23 de outubro de 2007
The Hanging Garden
Quem diabos é o louco que pendura uma garrafa vazia e invertida ao lado de uma árvore? Não se sabe, mas o mais incrível é que isto não acontece com apenas esta árvore na ETE Lauro Gomes (entrada da Fatec São Bernardo). Deve ser alguma espécie de arte expressionista ou talvez uma homenagem aos jardins suspensos: o jardim das garrafas enforcadas...domingo, 21 de outubro de 2007
A essência do blog
Apesar de tudo, o melhor da noite foi o show do Móveis Coloniais de Acaju. Músicas originais, leves (mas profundas) e uma grande performance ao vivo!
Fiquei R$ 40 mais pobre e um litro de Orloff mais gordo, mas valeu a pena =)
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Notas de rodapé em uma página vazia
Beavis & Butt-Head. Certamente um dos ícones de toda uma geração doped off, seja pelas drogas, pela falta de oportunidades ou simplesmente pela constante exposição ao Domingão do Faustão nas tardes dominicais. Não dá para definir como algo menor do que "genial" as visões de mundo que se expressam em seus comentários durante as exibições de trechos de clipes, como bem exemplifica o episódio acima (No Service, da sexta temporada do seriado):
- Half Man Half Mole (Chris Knox): "Dammit, Beavis! You'll never gonna out be... be smarter than me. So don't even try, just shut up!"
- Scatman (Scatman John): "There already is a name for this kind of music, Beavis: it's called crap!"
- Malibu (Chick): "Check it out, Butt-Head! A whore!"
Talvez por misturar altas doses de ironia, desilusão e sinceridade em um mundo mais ingênuo, sem temores de hecatombe nuclear ou ataques terroristas, que séries como Beavis & Butt-Head, Garoto Enxaqueca e Liquid Television, apenas para citar algumas, se tornaram cult e até hoje permeiam o imaginário de muitos, principalmente por acreditarem em si próprias e não apenas tentar vender imagens ou produtos. E, atualmente, a própria MTV, emissora que veiculou os referidos desenhos, demonstra uma incrível falta de fé em sua própria essência, principalmente (mas não apenas) por relegar a música, um produto menos atrativo, que possibilita menos intervalos comerciais e demais caça-níqueis, a horários menos atrativos, quando o fim subverte o meio e se torna origem.
Contudo, que fim levaram os Beavis e Butt-Heads da vida real? Aquele jovem risonho, que não queria nada da vida em 1994, ano em que foi lançado o single Scatman (Bi-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop), classificado muitas vezes como "música de elevador" pelo mesmo, ronda os trinta anos em 2007, e talvez tenha enriquecido ou more escondido no porão da casa dos pais por ser a vergonha da família, não se sabe ao certo. Há apenas uma certeza: em meio a uma existência vazia em um mundo sem sentido, Beavis & Butt-Head sempre merecerá uma citação honrosa, um símbolo de tempos irrelevantes, e exatamente por isso inestimáveis.
domingo, 7 de outubro de 2007
Waiting for the Sirens' Call
Não suficiente, quem ainda tornaria a ligar dois minutos depois da primeira ligação, que não foi atendida, apenas para tentar mais uma vez trazer alegria a outra pessoa?
Definitivamente, devo me sentir um abençoado por ter ao meu redor pessoas que gostam tanto assim de mim, assim como lamentarei não estar acordado a essa hora para atender ao chamado...
Já que o New Order foi a causa deste post, nada mais justo do que uma homenagem: uma versão instrumental de Bizarre Love Triangle, executada por um maluco de Nantes que toca de ouvido.
PS: Foi ligação a cobrar? Foi, mas não diminui em nada o mérito (pelo contrário). Foram as primeiras ligações recebidas desta pessoa no dia? Não foram, mas isso é assunto para outro post, se muito =P
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Já comeu um palhacito hoje?

Existem poucas fontes de humor mais confiáveis e perenes que a mente de uma criança. A maioria dos cartunistas, seres infantilizados que são, sabe bem disso. Mas, quando se dispõem a captar o espírito tumultuoso dos pequenos, eles quase sempre trapaceiam. Sem pudor, criam não crianças reconhecíveis, mas adultos em miniatura, irritantes e piadistas. Pode-se atribuir isso a indolência ou falha de memória, mas a maioria das pessoas que escrevem diálogos cômicos para crianças dá mostra de uma surpreendente falta de sensibilidade - ou de fé - em relação ao material que as inspira, isto é, a infância, em toda a sua livre e encantadora exuberância.