Adeus Cerei-C. O time sobe, os corpos caem e nada será feito para reparar as perdas das famílias, lamentavelmente.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O Bahia que gostaríamos de lembrar em 2007
Adeus Cerei-C. O time sobe, os corpos caem e nada será feito para reparar as perdas das famílias, lamentavelmente.
Tudo bem, não estava nos planos mesmo...
Enquanto começa o empurra-empurra entre autoridades e a espetacular revelação de que a Fonte Nova não estava nos planos para a realização da Copa-2014, ou mesmo o fato de alguém ter se lembrado que o estudo do Sinaenco, revelado no início do mês, apontava, dentre os 29 principais estádios brasileiros, como sendo a Fonte Nova a estar em situação mais precária (mas pontualmente omitem que todos os estádios foram reprovados no mesmo estudo), poucos mantém a dignidade do veterano técnico Arthurzinho: "O acidente ofuscou a festa".
Mas não tem problema, o Bahia subiu, a Copa será no Brasil e este será apenas mais um pretexto para obras superfaturadas que construirão estádios faraônicos belíssimos, mas com sérios problemas estruturais, exatamente como os seus antecessores. E a Fonte Nova? Ganhou mais um duto de respiração. Quem sabe um dia não vira ponto turístico, tal qual o Coliseu de Roma...
domingo, 25 de novembro de 2007
Chan e o espelho do Capitão Nascimento
Após uma semana longe dos teclados, e com o fim de minhas férias forçadas de quase três meses, lá vai um breve resumo de como o Interfatec mudou minha vida:
Quatro dias que Amy Winehouse nenhuma poderia colocar defeito, e praticamente tudo o que fosse possível fazer de errado com R$ 35 foi feito. Quem viu as fotos do Interfatec deve ter uma pequena noção do que acontece (e morre) por lá.
Pude conhecer novas pessoas, e conhecer de novas formas velhos conhecidos, e até mesmo reparar que certas pessoas não aparentam, mas se preocupam muito contigo, apenas não o demonstram mais freqüentemente por falta de espaço para fazê-lo. E, de fato, após simplesmente "não estar" durante boa parte do primeiro dia do Interfatec, pude finalmente me encarar e ver quanto certas situações me prejudicavam sem trazer benefício algum.
Curiosamente, ao tomar conta de uma recém-conhecida que tomou umas a mais e passou mal (o que não era lá muito raro para a mesma, segundo me foi dito), constatei o quão verdadeira é a frase "o alcoolismo é um problema de todos nós". Ficar deprimido, não importa por que motivo ou período, pode ser realmente chato, mas tornar isso a ponta de uma espiral pode ser muito perigoso, especialmente porque o final não costuma ser feliz.
No fim das contas, embora possa parecer apenas um pretexto para sumir e encher a cara com conhecidos e desconhecidos, o Interfatec me ensinou que ainda há pessoas que se preocupam com você, e que vão a determinados locais ou fazem determinadas coisas para tentar te agradar, estar junto de ti por alguns momentos. Deve ser por isso que a única música que eu consigo tocar (no violão) e cantar ao mesmo tempo (embora faça ambas as funções de forma precária) é da Cat Power. Afinal, quando você muda a sua vida, acaba influenciando a outros mesmo sem perceber.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Bilhete de despedida
Este será o último post de minha vida como a conheço. A barba da foto acima, que chegou a ser carinhosamente comparada com a de um náufrago, já se foi, por questões contratuais, e provavelmente para todo o sempre. Não fosse o reflexo de pular de uma moto em movimento no meio de uma avenida, sabe-se lá o que mais teria ido para o beleléu, graças à absoluta falta de inteligência do Casão, que simplesmente se sentiu no direito de fazer um 180° para trocar de faixa sem olhar para trás apenas porque deu seta para a esquerda. O carro branco parou assustadoramente próximo de onde deveria estar minha perna esquerda, e não tenho certeza alguma de que a mesma caberia naquele espaço.De qualquer forma, hoje vou ao Interfatec, que realizar-se-á em Indaiatuba entre os dias 15 e 18. Pode parecer besta, mas viagens sempre possuem significados bem mais amplos do que simplesmente pneus e asfalto.
Preciso ficar sozinho por uns tempos, razão pela qual irei para um local repleto de gente. Da mesma forma, vou tratar meus problemas com o alcoolismo nas três baladas open bar do Interfatec, fora as demais oportunidades que sempre surgem.
Ganhei um par de alto-falantes, mas será que ainda terei um lar aonde possa colocá-los para funcionar? Será que algum dia tive? E por que as pessoas trabalham tanto para erguer suas casas, com suas intermináveis muralhas que as separarão do mundo exterior, apenas para depois procurarem desesperadamente por oportunidades de encontrar um outro alguém?
Vou para a celebração da vida, mas não me importo se não puder voltar. Aliás, será que realmente já estive vivo? Não sei...
Como disse Morissey no final de seu épico show na cidade de Manchester em 2004, "whatever happens, please don't forget me".
BGM: The Smiths - There is a Light That Never Goes Out
sábado, 10 de novembro de 2007
Santa ingenuidade, Batman!
Quando a coluna "De Prima" adiantou, na edição de 2/11 do LANCE!, que, durante a cerimônia de nomeação do Brasil como sede da Copa do Mundo-2014, ocorrida na sede da FIFA, em Zurique (Suíça), o governador Aécio Neves (MG) não apenas tentaria impedir que a CPMI do Futebol investigasse as condutas da CBF, mas que partiria disposto a inviabilizar a própria CPMI, desconfiei que talvez a influência de Ricardo Teixeira não chegasse a tanto, "afinal, é apenas futebol". Como fui tolo...
Como mais ou menos era de se imaginar, uma série de parlamentares retiraram seu nome das assinaturas que seriam necessárias para a criação da CPMI, que acabou engavetada. Até aí, nada de muito surpreendente, afinal, de político não se pode esperar muita coisa boa. Mas o que me surpreendeu foi que, posteriormente descobri que, embora possa parecer apenas um fanfarrão de interesses dúbios, Ricardo Teixeira é, na realidade, um gênio da filosofia e lógica formal, pois utilizou de forma magistral o princípio de que não se pode negar uma afirmação com premissas aparentemente absurdas, se o resultado for aceitável.
- Premissa 1: Se não investigarem as ligações suspeitas do Corinthians (que seria o ponto inicial da CPMI), não vão encontrar mais maracutaias entrelaçadas;
- Premissa 2: Mesmo se houver investigações deste nível, a FIFA garantiu que a realização da Copa do Mundo-2014 no Brasil não será afetada;
- Portanto: Se todos fizerem vistas grossas, a Copa-2014 será realizada no Brasil.
Diante de tal cenário, é difícil deixar de concordar com a opinião do Financial Times, que afirmou semana passada que a organização da Copa no Brasil seria "um caos", e com o jornalista Flávio Prado, que previu que o montante a ser desviado ilicitamente durante a organização da Copa do Mundo fará Brasília parecer café pequeno. E olha que nunca houve faraó brasileiro...
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Já não se fazem lendas urbanas como antigamente ¬¬'

Quando eu achava que um saleiro mutante saído diretamente do Hellraiser era tudo o que poderia haver em termos de tosquices tenebrosas de baixo orçamento, eis que um fafu surge com a mais nova lenda urbana do pedaço:
Luke e V(t amo) diz:
puta q pariu!! acabei de matar uma barata espacial...
Fernando diz:
Como isso?
Luke e V(t amo) diz:
sei lá
Luke e V(t amo) diz:
ela era enorme e doida, pq a luz do meu quarto tava acesa e ela passou do lado do meu pé... dei uma paulada e ela ficou 2 min quieta... daki a pouco ela começou a correr só com as patas dianteiras
Luke e V(t amo) diz:
pq as traseiras eu quebrei
Luke e V(t amo) diz:
aí eu dei outra paulada e msm assim ela estava se contorcendo
Luke e V(t amo) diz:
sem falar q ela explodiu na 1ª paulada
Bom, antes isso do que o ocorrido no Interfatec 2, de Avaré, em que o fafu Betinho tomou um porre de Sagatiba e, mais louco que o Batman, passou a anunciar a morte de todos os demais malucos presentes...
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Uma viagem ao passado (parte 2)
Ao ligar a televisão em um noticiário local (Jornal da Clube), além de notícias que certamente mudarão os rumos da humanidade, tais como um atropelamento na Anhanguera ou a previsão de ventos de 17 km/h na cidade de Pirassununga no decorrer do dia seguinte, uma matéria divertidíssima marcou esta viagem.
Na cidade de Ribeirão Preto, um garoto de 10 anos chamado Fernando se tornou notório em sua vizinhança por praticar dois esportes: futebol (no qual o jovem não passa de um zagueiro perna-de-pau) e, pasmem, ballet. Entre depoimentos de sinceridade duvidosa e colegas de time, o técnico da equipe e praticamente qualquer um que arrumaram para fazer as entrevistas, por fim, o repórter faz uma pergunta sensacionalista para encerrar a matéria:
- Você não se sente envergonhado por ser o único garoto da turma?
Com a maior naturalidade do mundo, o jovem Fernando simplesmente responde a pergunta, com o ar de inocência que é peculiar aos que têm esta idade:
- Não, porque eu faço o que gosto.
Aquela declaração do garoto me levou posteriormente a uma reflexão: quanto tempo gastamos com coisas que não são importantes apenas para realizarmos uma auto-imagem que, no fim das contas, não serve para absolutamente nada, é uma casca vazia, sem conteúdo. É praticamente como se o repórter gritasse em palavras surdas "sejam fracassados como eu sou!".
No dia seguinte, além de ver praças, vendedores de laranjas e plantas até onde a vista alcançava, resolvi fazer um programa mais alternativo: ao invés de visitar a Três Quedas, famosa cachoeira da cidade, portanto programa mainstream, preferi fazer uma caminhada de alguns quilômetros pela estrada Zequinha de Abreu, ao mesmo tempo maravilhosa e extremamente perigosa, pois, se por um lado é a estrada mais bela que já vi em minha vida, com toda a exuberância da vegetação correndo junto aos carros, por outro lado é como se os motoristas dirigissem em meio a uma trilha dentro da mata fechada, razão pela qual também há uma quantidade perturbadora de cruzes, altares e afins por sua extensão (a bem da verdade, a Zequinha de Abreu de hoje mal é sombra da estrada de outrora, pois, em nome da vida, devastaram boa parte da vegetação original, mas ainda é possível ver árvores muito antigas no trajeto, em especial no oitavo quilômetro, praticamente intocado).
Em uma caminhada absolutamente sem rumo foi possível reavaliar alguns conceitos, expurgar alguns fantasmas do passado e contemplar a dualidade de certos momentos da vida. Afinal, estou quase lá, mas ainda sinto muita falta de meus tempos de peregrino, quando a única coisa que importava era coisa alguma. De fato, ultimamente ando muito preocupado com coisas aparentemente irrelevantes, e não sei o que isto significa exatamente, mas, por outro lado, quanto mais me solto das amarras que me prendem a este mundo, mais aprendo sobre o funcionamento do mesmo. Ou algo assim, claro...
A quem interessar, segue o link com a galeria de fotos desta viagem para Santa Rita do Passa Quatro: http://picasaweb.google.com.br/fafucemu/SantaRitaDoPassaQuatro02 (a qualidade das fotos é ruim porque as mesmas foram tiradas com câmera de celular)
domingo, 4 de novembro de 2007
Uma viagem ao passado (parte 1)
"Mais quente e úmido, com cheiro de mato."
Não há como não reparar no ar de Santa Rita do Passa Quatro logo ao desembarcar na rodoviária. Deve ser alguma espécie de implicância minha, não sei, mas aparentemente não há um único dia em que a temperatura na cidade esteja abaixo dos 30°C.
Aliás, falando em temperatura, o tempo em Santa Rita parece correr de maneira diferente. Os elevadores ainda não chegaram a estas terras, pois, se chegassem, teriam de encarar o desemprego estrutural (assim como boa parte da população), visto que as construções mais altas da cidade são sobrados.
Os dias começam mais tarde e terminam mais cedo, especialmente em época de feriados, situação simetricamente oposta ao cotidiano das grandes cidades em feriados, quando o expediente muitas vezes é extendido, para não perder a clientela. Comércio apenas até o meio-dia e olhe lá...
Nesta cidade, aonde quer que se vá, sempre haverá um par de olhos que se espreguiça calçada afora a vigiar seus passos com um misto de curiosidade e indiferença, como a dizer "pressa para quê?".
Apesar do ar nostálgico que carrega, Santa Rita do Passa Quatro também acompanha a passagem do tempo. Não apenas, ao contrário de minha infância, as pessoas começam a morrer, como (quem diria!) já até ocorrem prisões de traficantes, que, naturalmente, se transformam instantaneamente em manchetes dos jornais locais. Em compensação, ninguém neste feriado de Finados foi capaz de trazer de volta a Santa Ritense, equipe de futebol que por seguidas vezes foi impedida de lutar pelo acesso nas divisões inferiores do Campeonato Paulista por causa da lotação minúscula de seu estádio - 5.000 torcedores - que não pode ser ampliado por razões estruturais (leia-se "o terreno ao lado não está disponível").
Vale lembrar que a Santa Ritense, apelidada carinhosamente de Vermelhinha por seus torcedores (que dificilmente faziam as bilheterias chegarem ao terceiro dígito), já abrigou craques do naipe de Bermuda, Jomar, Lê Usina, Massaro e até mesmo o haitiano Kowsky, lateral-direito/volante que veio ao Brasil como turista para se refugiar da desordem que tomava conta de seu país, e não obteve um visto de trabalho por causa da maravilhosa burocracia tupiniquim. Não sabem o que perderam...
No dia em que for contar histórias para meus netos (embora nem ao menos pretenda ser pai), certamente comentarei o treino que vi de Kowsky Sainvil, que não devia nada a nenhum Joílson (Botafogo) da vida, enquanto estiver com minha camisa 7 do uniforme reserva da Santa Ritense. E apenas por ser uma relíquia que não posso ser considerado herege, pois durante um mês fui zagueiro do outro time da cidade, o Cinelândia, que sempre se manteve fiel ao amadorismo, e era treinado pelo Seo Várti, pedreiro nas horas vagas, já que em meu imaginário o mesmo sempre será técnico de futebol, que me fez chegar ao Interfatec 3 como titular do meio-campo da Fatec São Bernardo, que, esta sim, mantenho guardada comigo uma camisa como recordação. Embora tenha jogado com a 2, atuava como volante (ou trinco, como dizem os tugas), mais pela esquerda, por ser igualmente (in)eficiente com ambas as pernas.
Voltando ao presente, jamais poderia deixar de escrever sobre uma das lembranças nostálgicas desta viagem: um louco (no sentido real da palavra) que, lá pelas tantas, brotou em um dos bancos do ônibus. Falava sozinho o tempo todo e trocava constantemente de cadeira, o que causava um tilintar constante de seus vários adornos. Visualmente, o tiozinho, um senhor de meia-idade, era um show: jaqueta de couro rasgada e possivelmente alguns números menor do que ele mesmo, um headphone todo remendado com fita isolante, latas e mais latas amassadas e amarradas como se fossem colares e até mesmo uma cabeça de boneca davam o ar da graça, fora um pedaço de metal que parecia ser uma tampa de panela ou algo assim que protegia (?) suas costas.
Entre comentários com seus amigos imaginários e resmungos sobre o volume do som que só ele ouvia, um comentário valeu por toda a viagem: "Chegando em Santa Rita vou é detonar na cachaça!"
Problemas, para quê? Esqueça as contas, o perfume da esposa, as roupas dos filhos, descarregue a carcaça e caia na carne com cachaça. Por isso que os mais loucos nos remetem à infância: trazem lembranças de tempos em que a maior preocupação de nossas vidas era a chegada da hora do recreio que jamais vinha...
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