sábado, 10 de novembro de 2007

Santa ingenuidade, Batman!

Quando a coluna "De Prima" adiantou, na edição de 2/11 do LANCE!, que, durante a cerimônia de nomeação do Brasil como sede da Copa do Mundo-2014, ocorrida na sede da FIFA, em Zurique (Suíça), o governador Aécio Neves (MG) não apenas tentaria impedir que a CPMI do Futebol investigasse as condutas da CBF, mas que partiria disposto a inviabilizar a própria CPMI, desconfiei que talvez a influência de Ricardo Teixeira não chegasse a tanto, "afinal, é apenas futebol". Como fui tolo...

Como mais ou menos era de se imaginar, uma série de parlamentares retiraram seu nome das assinaturas que seriam necessárias para a criação da CPMI, que acabou engavetada. Até aí, nada de muito surpreendente, afinal, de político não se pode esperar muita coisa boa. Mas o que me surpreendeu foi que, posteriormente descobri que, embora possa parecer apenas um fanfarrão de interesses dúbios, Ricardo Teixeira é, na realidade, um gênio da filosofia e lógica formal, pois utilizou de forma magistral o princípio de que não se pode negar uma afirmação com premissas aparentemente absurdas, se o resultado for aceitável.
  • Premissa 1: Se não investigarem as ligações suspeitas do Corinthians (que seria o ponto inicial da CPMI), não vão encontrar mais maracutaias entrelaçadas;
  • Premissa 2: Mesmo se houver investigações deste nível, a FIFA garantiu que a realização da Copa do Mundo-2014 no Brasil não será afetada;
  • Portanto: Se todos fizerem vistas grossas, a Copa-2014 será realizada no Brasil.

Diante de tal cenário, é difícil deixar de concordar com a opinião do Financial Times, que afirmou semana passada que a organização da Copa no Brasil seria "um caos", e com o jornalista Flávio Prado, que previu que o montante a ser desviado ilicitamente durante a organização da Copa do Mundo fará Brasília parecer café pequeno. E olha que nunca houve faraó brasileiro...

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