segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nostalgia metatemporal


É impressionante como nossas vidas sempre são monótonas e ausentes de sentido. Que o tempo representa apenas uma insuportável série de folhas vazias em uma agenda e que o mundo seria, no mínimo, a mesmíssima coisa - se não fosse um lugar melhor, obviamente - se jamais tivéssemos nascido. Triunfos são temporários, mas derrotas são certas, arrebatadoras e de caráter permanente e irrevogável.

Nos últimos tempos, os dias são cada vez mais curtos, mas as noites não trazem conforto algum, tampouco representam oportunidade de descanso. É como se uma sombra, feita principalmente de culpa e angústia, estivesse a vigiar e perturbar o sono alheio. Como se nada do que foi feito até então representasse algo. Como se fosse possível sentir saudades de uma vida que nunca foi vivida.

Curiosamente, a maior parte destes temores nada mais são do que manifestações de um ego não realizado, que busca realizar a auto-imagem em detrimento da auto-realização. Alguns dias são melhores e outros são piores, mas nem por isso eles deixam de vir um após o outro. Ou, como diria uma passagem do Bhagavad Gita:


Realiza os teus trabalhos e mantém-te em sereno equilíbrio, na certeza de que
tanto o sucesso quanto o insucesso são bons.

Nem sempre é possível manter a compostura, mas se você veio do nada e vai para o nada, o que mudou? Nada! Mas aconteça o que acontecer, não esqueça do filtro solar.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Rocky's way of life

Pode parecer engraçado, mas a maior parte das pessoas mais próximas de mim resolveram ter problemas praticamente ao mesmo tempo. Afinal, todos têm problemas, só a bailarina é que não tem (razão pela qual geralmente tentamos forçar a construção de imagens de bailarinas, seja em nós mesmos ou em outras pessoas).

E, tratando apenas dos problemas, muitas vezes se esquece de um pequeno detalhe essencial: Problemas fazem parte da vida. Todos sempre terão problemas, em maior ou menor escala e intensidade, mas o real segredo não é saber evitar problemas, mas sim resolvê-los. Ou, se for para exemplificar de uma forma mais clara, segue o discurso de Rocky Balboa para seu filho:

The world ain't all sunshine and rainbows. It's a very mean and nasty place...
and I don´t care how tough you are, it will beat you to your knees and keep you
there permanently, if you let it. You, me or nobody, is gonna hit as hard as
life. But ain't about how hard you hit... It's about how hard you can get hit,
and keep moving forward... how much you can take, and keep moving forward.
That´s how winning is done. Now, if you know what you worth, go out and get what
you worth. But you gotta be willing to take the hits. And not pointing fingers
saying: You ain´t what you wanna be because of him or her or anybody. Cowards do
that and that ain´t you! You´re better than that!

Por isso, por mais absurdo que possa parecer um desafio, é necessário ter coragem para encará-lo e, caso ocorra, até mesmo para assumir a derrota, mas sempre com a certeza de ter feito o melhor possível.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quem quer dinheirooo?

Segundo o economista Humberto Veiga, o nível atual de endividamento do brasileiro é equivalente a, em média, nove meses de trabalho. Pode não parecer muito, mas representa um aumento de 60% em apenas quatro anos. Somando-se este dado ao fato que nossa carga tributária equivale a cerca de quatro meses de salários, e... Falta muito para chegar o décimo-terceiro?

Dizem que o crescimento desproporcional do crédito pode ter conseqüências negativas futuras mas, enquanto isso, continuamos a fazer nas urnas mais ou menos a mesma coisa que na latrina. E a pagar a conta em suaves prestações com a maior taxa de juros do mundo, claro =P

Enquanto isso, o genial (e genioso) Romário anunciou o fim de sua carreira, 1.002 gols e uma Copa do Mundo depois. Lógico que, no rescaldo de sua despedida, será lançado um DVD com alguns de seus mais belos gols. E imagina se eu não vou querer um?

(Um dia ainda viro hippie. Até lá, permaneço grunge ao extremo...)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Popomundo, ano 2


Um ano. Parece que foi ontem, mas demorou uma eternidade.

É impressionante a quantidade de mudanças que podem ocorrer na vida em tão curto período de tempo. Certos hábitos passam de essenciais para desnecessários em um piscar de olhos, assim como algumas pessoas que, outrora inseparáveis, tornam-se indesejadas, e vice-versa.

Deve ser natural da vida, ou não... Mas o que importa é que sempre há algo para se aprender com o passado. Não comprar briga dos outros, fazer o que é necessário, mesmo quando não há certeza de se receber algo em troca por isso, se preocupar menos e aproveitar mais, porque no Popomundo, assim como na vida real, sempre há os que reclamam de todas as mudanças no status quo, assim como há aqueles que se adaptam e transformam situações novas em oportunidades. Receita básica em qualquer um daqueles livros de dicas para executivos, mas que também pode ser encontrada na filosofia oriental através de parábolas envolvendo a maleabilidade do bambu, que, exatamente por não ser tão rígido quanto o cedro, pode se adaptar e sobreviver a uma ventania mais forte do que uma madeira aparentemente muito mais sólida, mas inflexível.

Voltando à linha do tempo, se no primeiro ano de Popomundo a trajetória era feita conforme o capricho dos ventos, ao menos este segundo ano inicia com uma meta nova: encontrar uma meta, porque coisas a se fazer e pessoas a se conhecer não faltam. Seja no jogo, seja no mundo "real"...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A arte de cometer suicídio indiretamente


Ingredientes:
- Homem caucasiano solteiro e despreocupado;
- Domingo com geladeira cheia e panela vazia;
- Frigideira com óleo fervendo;
- Salsicha, lingüiça e miojo;
- Um pouquinho de arroz para dar uma "rebatida".
Modo de preparo:
- Misture tudo e coma rapidamente. Se parar para pensar, você vai dar mais valor à sua vida e vai desistir de tal crime.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Feliz ano novo!

[Casão] Mas é ano novo em que calendário? No chinês?
[Fernando] Não, no brasileiro mesmo...
[Casão] ¬¬ (faz cara de quem acusa o golpe)

Triste, mas verídico =P

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Quem procura, acha...



Após tantos anos, finalmente poderei curtir o fim-de-ano com uma mínima sensação de independência. Mas, como dizem, "tudo tem o seu porém"...

Absolutamente sozinho para a passagem do Natal, não tive outra opção senão fazer minha própria ceia. O arroz-e-feijão estava pronto, além de uns nuggets (frios) e fritas (frias, murchas e sem gosto), então resolvi comprar alguma coisa para complementar a refeição. A idéia era uma pizza, mas, 9 da noite do dia 24, São Bernardo do Campo mais parecia uma cidade fantasma.

Como quem não tem cão (ou pizza no congelador) se vira com Doritos e um latão de cerveja, boas festas para todos!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Outro ponto de vista


Após duas semanas de treinamento e mais duas semanas de agência, começo a desconfiar que Banco do Brasil, Miyamoto Musashi e Popomundo estão mais interligados do que se poderia supor.

Ao passo em que, no meu primeiro dia de agência, me perguntaram se eu não estava orgulhoso por trabalhar em uma grande empresa, secular inclusive, na última sexta-feira pude reparar que, enquanto quem está fora gostaria de entrar, quem está dentro almeja vôos mais altos, o que é altamente natural.

Como bem ensinou o ritmo quase letárgico do Popomundo, não é possível se tornar dominar com maestria toda uma profissão em questão de dias, e portanto não há motivo para ter uma pressa desmedida. Afinal, no fim das contas, é você contra você.

Contudo, ainda me surpreende a quantidade de pessoas que consideram mais importante os fins do que os meios. Afinal, certamente estas não puderam contemplar o seguinte diálogo (adaptado) entre Hozoin In-Ei e Miyamoto Musashi:
- Musashi: Está dizendo que estou preso a uma palavra? Será que estou apenas atrás da fama que ela representa?

- In-Ei: Sempre e sempre o eu! Só enxerga o seu eu. Apenas isso. Como você é pequeno.

- Musashi: Ser invencível... Só vou me preocupar com isso depois de me tornar invencível. Agora só quero chegar ao topo desta montanha. Eu só quero ver a paisagem lá de cima.
Afinal, quando se chega ao topo de uma montanha, é possível ver a que distância se está do chão, e quantas montanhas mais altas ainda existem para ser escaladas...

PS: Sim, não me importa em qual empresa estou trabalhando, é apenas um emprego, e quem define se isso é bom ou ruim é a própria pessoa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Duas léguas depois do fim da civilização

Após duas quase intermináveis semanas de treinamento na Avenida Paulista, finalmente iniciei meu serviço em Mauá, cidade conhecida no ABC por ter apenas cipós e índios. Eu poderia ter um destino diferente, já que uma moradora da cidade pediu para trocar de agência comigo, mas, como ainda não fiz seguro de vida, achei que o centro de Diadema não era lá grande coisa :P

Ainda pode ser muito cedo para decisões mais aprofundadas, mas já posso dizer que não me arrependo de ter trocado a Câmara por uma excursão diária para depois do fim do mundo. Não apenas por ter reencontrado gente da época do Ensino Médio e do técnico em administração, como também pela boa aceitação geral do pessoal, do correio interno de segunda, que tinha como notícia de capa a visita do cacique Raoni a uma agência nos cafundós, e pelo gato que ficou preso dentro do capô do carro de um dos funcionários o dia todo. Como já me disseram: "mundo pequeno..."

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

I Like Chopin de cu é...

Sim! o Bloco 7 reaberto! Tamo aí na atividade, no morro do dendê e dos lanches nadando na pimenta, regados com cerveja e cachaça de barril 24 horas por dia \o/
- Saudades daqui!
- Você que é o Fernando?
- Sou. Por quê?
- O criador da comunidade do Orkut?
- Não, sou só o atual proprietário, porque um dia a comunidade ficou sem dono.
- Que legal! Eu entro de vez em quando na comunidade!
E assim volta o boteco no qual cansei de gastar fichas para jogar Street Fighter de Rodoviária (aquele em que você apertava Start para trocar de personagem no meio da luta, entre outras manhas)...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A um salto da liberdade


Mas quem se arrisca a dar o primeiro passo? Bem-vindos ao cinza mundo dos adultos, em que aparências são mais importantes que o conteúdo...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Bahia que gostaríamos de lembrar em 2007

Repórter anão com camisa do Barcelona durante Bahia X ABC.


Adeus Cerei-C. O time sobe, os corpos caem e nada será feito para reparar as perdas das famílias, lamentavelmente.

Tudo bem, não estava nos planos mesmo...

A foto da Futura Press é o retrato da mais absoluta falta de infra-estrutura do futebol brasileiro. Parte do anel superior da Fonte Nova simplesmente cedeu durante o empate sem gols entre Bahia e Vila Nova-GO, que marcou a volta do Bahia à Série B, e pelo menos oito pessoas morreram, das quais seis ainda no local. As fotos do ocorrido são assustadoras, dada a evidência do estado de ruínas em que se encontrava o estádio, que, não é exceção, mas sim regra no futebol nacional.

Enquanto começa o empurra-empurra entre autoridades e a espetacular revelação de que a Fonte Nova não estava nos planos para a realização da Copa-2014, ou mesmo o fato de alguém ter se lembrado que o estudo do Sinaenco, revelado no início do mês, apontava, dentre os 29 principais estádios brasileiros, como sendo a Fonte Nova a estar em situação mais precária (mas pontualmente omitem que todos os estádios foram reprovados no mesmo estudo), poucos mantém a dignidade do veterano técnico Arthurzinho: "O acidente ofuscou a festa".

Mas não tem problema, o Bahia subiu, a Copa será no Brasil e este será apenas mais um pretexto para obras superfaturadas que construirão estádios faraônicos belíssimos, mas com sérios problemas estruturais, exatamente como os seus antecessores. E a Fonte Nova? Ganhou mais um duto de respiração. Quem sabe um dia não vira ponto turístico, tal qual o Coliseu de Roma...