domingo, 26 de agosto de 2007

Aprendendo a morrer


Antes de enterrar o ontem, é sempre válido tentar elucidá-lo: após quase quatro anos de colaboração, decidi por encerrar minha passagem pela Trivela, website independente de futebol internacional. Desde então, a Trivela amadureceu, cresceu e se tornou grande, a ponto de lançar uma revista mensal e a ponto de seu rumo não mais coincidir com o meu.
Dia desses, recebi um CD com algumas fotos (inclusive a foto acima) do Interfatec 3, ocorrido entre 10 e 12/10/2006, e estava a lembrar que nesta época eu já havia providenciado a documentação necessária para minha admissão na Câmara de São Bernardo (para quem não sabe, sou funcionário público concursado), e apenas esperava o momento de começar a trabalhar.
Quase um ano depois, enquanto começava a planejar o que fazer com minhas primeiras férias, entre "absolutamente nada", "embarcar em um cruzeiro e sumir por uma semana" e "juntar uma grana agora para ver a Eurocopa in loco" (pendendo mais para "absolutamente nada", mas nunca se sabe o dia de amanhã), me dei conta que o tempo havia passado, e que a Trivela já não tinha mais a mesma significância de outrora. A chama havia se apagado, e o que restava era apenas uma realidade forçada, de quem já considerava um transtorno ter de escrever uma coluna ao invés de revisar seu trabalho da faculdade ou simplesmente dormir mais cedo para trabalhar com um mínimo de disposição.
Se considerarmos que a água, em seu estado natural, é corrente e flexível, ao invés de estagnada e rígida, logo é fácil deduzir que, se a Trivela já não possuía qualquer significância em minha vida, o correto a se fazer seria deixá-la ir, para que cada um siga seu rumo de maneira independente, sem arrependimentos. Agradeço a todos os leitores (mesmo aqueles que eventualmente confundiram as coisas e me mandaram e-mails pedindo encaminhamento para empregos no exterior, como se eu fosse agente de profissionais de futebol, o que jamais passou por minha mente), demais colaboradores (atuais e do passado) da Trivela e, em especial, aos bons colegas Carlos, Cassiano e Thomaz, que sempre foram muito compreensivos. Foi uma bela escola, profissional e pessoalmente, e, se tivesse a oportunidade, faria tudo novamente. Mas agora é hora de desafogar a represa e morrer para o passado. Afinal, se morremos todos os dias, nada mais aceitável do que aprender a morrer dignamente para o passado.
Assim sendo, resolvi colocar em prática uma idéia que já era ventilada informalmente com alguns colegas: criar um blog para publicar relatos de nosso cotidiano, mas com espaço para as preferências e particularidades de cada um.
Como administrador, membro mais articulado e principal postador deste blog, desde já aviso que, embora seja um espaço destinado à coletividade, não deixa de ser o meu espaço. Portanto, se algo não lhe satisfaz, exponha, para tentar alcançar um denominador comum, ou desafogue a represa você também.
A princípio, o blog terá a participação de três membros bastante distintos:
  • Faster, fã de heavy metal, Ragnarok e, apesar de seu senso crítico, constantemente é visto mostrando ao mundo sua risada de desenho animado;
  • Fernando, ser que busca a iluminação, ainda que aprecie andar na escuridão total. Lê textos de filosofia enquanto ouve Mayhem com a maior naturalidade;
  • McCants, animal sentimental, ilusionista nas horas vagas e, apesar de sua semelhança com o ex-jogador Casagrande, já foi visto "acusando o golpe" mais vezes que Reginaldo Holyfield.

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