É impressionante como nossas vidas sempre são monótonas e ausentes de sentido. Que o tempo representa apenas uma insuportável série de folhas vazias em uma agenda e que o mundo seria, no mínimo, a mesmíssima coisa - se não fosse um lugar melhor, obviamente - se jamais tivéssemos nascido. Triunfos são temporários, mas derrotas são certas, arrebatadoras e de caráter permanente e irrevogável.
Nos últimos tempos, os dias são cada vez mais curtos, mas as noites não trazem conforto algum, tampouco representam oportunidade de descanso. É como se uma sombra, feita principalmente de culpa e angústia, estivesse a vigiar e perturbar o sono alheio. Como se nada do que foi feito até então representasse algo. Como se fosse possível sentir saudades de uma vida que nunca foi vivida.
Curiosamente, a maior parte destes temores nada mais são do que manifestações de um ego não realizado, que busca realizar a auto-imagem em detrimento da auto-realização. Alguns dias são melhores e outros são piores, mas nem por isso eles deixam de vir um após o outro. Ou, como diria uma passagem do Bhagavad Gita:
Realiza os teus trabalhos e mantém-te em sereno equilíbrio, na certeza de que
tanto o sucesso quanto o insucesso são bons.
Nem sempre é possível manter a compostura, mas se você veio do nada e vai para o nada, o que mudou? Nada! Mas aconteça o que acontecer, não esqueça do filtro solar.
Um comentário:
Eu só queria saber quem inventou essa bobagem de filtro solar.
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